Jornalista, apaixonado pela profissão. Um cara de estereótipo alto e magro demonstra em suas feições o amor pelo que faz. David Coimbra, em uma sexta-feira, tinha traços cansados e entre seus dedos carregava um copo com um dos principais vícios de profissionais dessa área: café.
Apesar da possibilidade de falar apenas o necessário, David não poupou palavras nem simpatia ao me responder diversas perguntas. Como ele foi parar no mundo jornalístico? Essa era uma das dúvidas que eu tinha necessidade de dar um fim e ele logo admitiu, “sou jornalista para escrever e não escrevo para ser jornalista.” O amor pela escrita e leitura o fizeram seguir em um caminho em que ele acreditava que suas paixões seriam postas em prática.
Atual diretor executivo de Esportes, colunista da Zero Hora, comentarista da TVCOM e participante do programa Pretinho Básico, David Coimbra também perpetua sua paixão através de vários livros já lançados e tem em si um orgulho por duas obras em especial: Canibais e Jogo de Damas, “eu gosto muito deles, dos outros eu também gosto claro, é que esses aí me deram mais trabalho, entendeu?” explicou-se com o intuito de não desmerecer seus outros livros.
Com tantas atividades a exercer ele busca organizar seus dias através de um planejamento mental, pois acredita na necessidade de que haja um tempo disponível para conseguir executar outras atividades de seu agrado. Essas como nadar, sair com os seus amigos e, o ultimo, porém não menos importante: brincar com seu filho.
Bernardo, hoje com três anos, é visível orgulho de David. O pequeno já foi homenageado em um livro de crônicas, “Meu Guri”, com relatos em ordem cronológica − surgidos da observação, reflexão e registro de um pai de primeira viagem. Além do mais, no último verão, ele escrevia diariamente ao jornal Zero Hora sobre o litoral gaúcho e raras eram as colunas que não tratavam das traquinagens do menino. Todavia não foram as crônicas que denunciaram seu amor por Bernardo, mas sim o brilho que aparece nos olhos do escritor ao citar o filho.
Ao finalizar a fala que abordava o menino, aproveitei para saber um pouco do David Coimbra adolescente, então descobri o que já era evidente, um guri não diferente de hoje, morador do IAPI,que gostava de jogar futebol, namorar e se encontrar com os amigos, esses últimos que permanecem em seu convívio até hoje. Não é a toa que Paulo Sant'Ana descreve David Coimbra, como o "sátiro peralta dos torsos e tornozelos femininos", pois sua vida gira em torno de três coisas desde o principio: futebol, mulher e, mais recentemente, seu filho.
Não perdendo a oportunidade voltei a falar de sua profissão, afinal não é em qualquer lugar que se encontra um profissional tão apaixonado. “ É o centro da minha vida. Claro que a gente tem que ter equilíbrio. Tem que ter de tudo, tem que gostar né, afinal a gente passa maior parte do tempo trabalhando.” Alegou.
David Coimbra nos últimos anos ganhou uma nova ocupação, seu blog. Nele, diariamente, há postagens do jornalista e participações dos leitores que gostam de mandar músicas e textos para aparecerem no espaço. “Os leitores gostam de participar. Uma vez eu fiz até uma festa do blog,” recordou.
Admitiu achar o blog uma ferramenta muito interessante por também dar oportunidade das pessoas contestar seus pensamentos, ainda mais por ele ter como característica essencial expor seu pensamento sem receios. Tal fato o faz ser odiado por muitos e amado por vários. “Bah, adoram me xingar,” confessou, juntamente admitindo que antes até levava em conta, todavia que o tempo o fez aprender que não pode se deixar tocar por isso, “Não tem como tu escrever uma coisa que todo mundo vai adorar e ninguém criticar. Só se for alguma coisa que não tenha graça,” Comentou. “Eu me divirto mais do que me incomodo”.
O silêncio invadiu o pequeno espaço de gravação da Zero Hora e eu percebi que era hora de partir. Sem mais delongas agradeci pela oportunidade e o parabenizei pelo esforço que fazia para responder aos e-mails recebidos. Me despedi, saindo com a sensação de missão cumprida e o que antes eu já acreditava hoje se tornou uma certeza: não é a forma que escreve ou os prêmios acumulados que fazem de David Coimbra um jornalista exemplar, mas sim a simplicidade em cada gesto e a paixão que carrega pela sua profissão.
Texto elaborado para a disciplina de Linguagem Jornalística I.




1 comentários:
Oi querida, parabéns pelo Blog. Adorei! Já virei leitura assídua!
Bjs, Janine.
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